Ele
Aproveitamos a manha deste dia para estarmos juntos, e quando soubemos que não íamos ter companhia para a praia, saímos logo. Nunca tinha ido a Sesimbra, mas valeu a pena. Quando estávamos a chegar à praia senti um cheiro a arroz de tomate, e não descansei enquanto não encontrei um restaurante que o servisse com peixe frito. Que bem que soube comida portuguesa. Já de barriga cheia dormimos a tarde toda até ser horas de ir para o espectáculo.

Passamos por casa e depois fomos em direcção a Belém. Este sítio já marcou muitos momentos da nossa vida, incluindo a primeira vez que nos vimos. Estando tão perto, não resistimos a ir aos pastéis de Belém jantar. Mais uma vez enchemos o pandulho de comida à portuguesa. Isto não é propriamente bom, porque acaba por dar sono e se a opereta não fosse boa acabava por adormecer, já sabemos o que a casa gasta. Como os meus colegas de trabalho nunca viram pastéis levei uns poucos para eles, ficaram fascinados e não vêem hora de eu voltar a Portugal.

Caminhamos até ao mosteiro, a entrada era pela parte de trás. Nunca tinha estado por aqui ou pelo menos não me lembro. Nas traseiras tinham algumas bancas com comida e bebida e também alguns panfletos acerca do espectáculo. Pegamos num deles e fomos nos sentar, ao lê-lo ficamos a saber algumas informações que mais tarde nos ajudaram a entender algumas das temáticas envolvidas.

O palco era fantástico e dificilmente descritível, ainda não tinha ninguém em cima e fez-me lembrar uma aranha gigante feita de metal negro.

Quando começou, vimos a banda da marinha em fila indiana, mas não a marchar como Ela, e ocuparam os seus lugares no centro do palco. Depois vemos os primeiros actores, deslocavam-se com movimentos que são característicos do Bando. Depois veio os dois cantores o vocalista dos moonspell e outra mulher que não conheço. Estes dois pelo que entendi representavam duas vozes na mente da personagem principal, uma boa outra má, uma positiva a outra negativa. A voz negativa era a do vocalista dos moonspell e estava tão fantástica que quando cantava me dava arrepios.

Não consigo por a peça toda em palavras, mas foi fantástica. A banda da marinha encaixava perfeitamente no cenário, e era alguns dos seus elementos que na altura certa se transformavam, quase sem notarmos, em personagens da história.

Achei que a mãe de Joana tinha uma voz fantástica que me cativava e atraía, assim como a mulher fantasma.

A peça transmite mais informação do que eu era capaz de processar, até porque o palco tinha várias zonas onde se desenrolava a acção, não dava para acompanhar tudo, para mim dava um ar realista. Mas pela primeira vez tive vontade de ver uma peça pela segunda vez, e se tivesse ficado em Portugal mais tempo o mais certo era ter ido novamente.

No intervalo eu e Ela tivemos oportunidade de discutir umas ideias, também descobrimos numa das bancas um DVD do Bando com a gravação de uma peça baseada no ensaio sobre a cegueira do Saramago, temos de o comprar!

A segunda parte prolongou-se mais e comecei a perder a concentração, no final acabou bem.

Algo que me surpreendeu foi que toda a opereta foi legendada em português e inglês. Ao princípio não percebia porque apareciam em português, mas acabei por descobrir que óperetês não entendo. Foi a minha primeira experiência com ópera em português portanto tenho desculpa, ainda bem que meteram legendas.

Acabado o espectáculo, fomos directos para casa discutindo as sensações e as ideias que tínhamos. É bom partilhar estes momentos de rescaldo, é por isso que não me agrada que tenham tirado os créditos dos filmes que passam da televisão, não temos tempos para apreciar, para falar, para saborear o pedaço de arte que tivemos o prazer de assistir.

Ambos concordamos q foi excelente e certamente valia a pena vir a Portugal nem que fosse só para ver isto.

Houve tempo ainda para dormir, aquele sono saudoso antes de partir.

Ela

Já conhecemos o teatro “o bando” de outras apresentações. Quando ouvi dizer da mistura de musica clássica, rock & Metal com a banda da Armada, fiquei curiosa.
Falei com eLe e lá fomos a este espectáculo. Um espectáculo com sabor a maresia e a despedida.

O dia tinha sido passado na praia e a ida aos pastéis de Belém era obrigatória. Acabou por ser o nosso jantar 🙂

Estávamos à espera de tudo e de perceber pouco! Aquilo que aconteceu foi uma agradável surpresa.

A disposição dos actores naquele palco, que não era palco, que se misturava com a orquestra, que surgiam do topo e da cave, qur tinham vozes líricas e “rocalheiras”.

As vozes adequadas a cada personagem. Adorei a da mãe de Joana. Adorei o narrador (filha da Joana). Tinha uma dicção muito boa. Mesmo com migrofone era muito fácil de entender. Espantoso!
Não vale a pena continuar com a descrição de tudo e todos.

Aquilo que me deixou muito satisfeita foi tratar-se de uma produção portuguesa. Aquilo que menos gostei foi haver cadeiras vazias.
Deveria haver uma “comichão” de patriotismo pelas coisas belas que fazemos, porque não há só futebol. E esta é uma coisa bela!

A meio da segunda parte já estava a ficar com um pouco de frio. Confesso que a tristeza também já me assolava… Dai a poucas horas iria levá-LO ao aeroporto e o nosso fim de semana ficava na memória!
Foi muito bom… mas o melhor ainda está para vir! Com ele a meu lado é claro!

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