Dezembro 2006


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Ele

Neste dia ela disse que me ia levar a um sitio especial, que era muito giro e que já lá estava há muito tempo. Bem a curiosidade estava-me a matar… e lá fomos, demos umas voltas no Barreiro e chegamos lá… era o começo de uma estada de terra. Fomos a pé a partir daqui, e ela avisou, isto ao princípio está um pouco degradado mas lá para a frente é giro. Ao princípio apanhamos umas barracas que elas próprias estavam degradadas… Já estava a ver o caso mal parado. Continuamos, a estrada de terra passou a carreiro enlameado, entretanto apareceu um esgoto a céu aberto que estava a mandar tudo para o rio. Com aquele cheirinho no ar chegamos ao sítio em questão. Não dá bem para explicar mas imaginem que é uma área rectangular um pouco maior que um campo de futebol mas elevado um andar ou dois. Basicamente um enorme monte de terra branca elevado. Ao que parece aquilo é gesso, que é um dos resíduos da Quimiparque (uma grande fábrica ao lado). Depois ela disse que havia um acesso até ao topo e fomos lá. Quando lá chegamos aquilo tinha um aspecto muito lunar, com excepção da extrema ventania que fazia. Mais uma vez a comparação com o campo de futebol, imaginem um campo de futebol branco, 1 dois andares acima de tudo o resto e ao pé do rio… Lá de cima tínhamos uma vista que não se tem de mais lado nenhum, muito engraçado.

Mas apesar de tudo, este sítio não me dizia muito era apenas uma curiosidade, enquanto que ela o achava extremamente bonito e interessante. Isto foi sem dúvida o que gostei mais. É por coisas deste género que a amo, ela conseguiu ver beleza num monte de resíduos de uma fábrica, que ficam ao pé de um esgoto em céu aberto e encostada a umas barracas. Esta capacidade de abstracção de merdas mundanas e ver o que realmente interessa, é das virtudes que mais aprecio nela.

Ela

A paisagem também depende de quem a observa.Pode ser linda ou nem por isso…É o exemplo deste lugar. Um monte de gesso perdido à beira-mar, que pouca gente conhece. Resolvi levá-lo até lá, por ser diferente de tudo o que tivemos o prazer de ver até agora. 

Tinha chovido no dia anterior. A lama e o caminho tortuoso não nos ajudavam a lá chegar! O vento batia-nos na cara e dificultava o nosso andar.Do cimo do gesso, avista-se as fábricas da CUF, Moita, Montijo, Lisboa e Ilha do Rato. É uma paisagem industrial! Não muito bonita…Mas lá está, os nossos olhos vêm aquilo que desejamos, sobretudo quando estamos em companhia de quem mais gostamos.

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Ele 

Depois do chá fomos buscar um amigo meu e fomos desfrutar dos concertos de borla da FNAC. Não fazia ma mínima ideia quem eram, mas o nome soava-me bem, e combinei para virmos cá. Não foi em vão. São uma banda portuguesa com uns 9 elementos no palco, a vocalista tinha boa voz, mas era o violonista que era relações públicas tendo a capacidade de orador nato. Isto é que é música portuguesa, nada de pimbas nem nada de POP. Cantaram canções regionais mas com uma sonoridade fantástica. Estou deveras impressionado. Estava-me a saber tão bem que comecei a ganhar sono novamente, mas desta já sabia a técnica, tirei o casaco e desfrutei o concerto até ao fim. Termos que ver onde é que eles vão fazer concertos a sério para ir lá. Ainda comprei um CD dos UHF que andava a namorar à uns tempos, e ela um livro de Aromoterapia.

Ela 

Este grupo já por cá anda há algum tempo. Caracteriza-os a música portuguesa bem cantada, bem executada, original! O concerto era gratuito na FNAC, Convidamos um  amigo e lá fomos nós. Primeiro fizemos a escolha de uns livros para lermos enquanto esperávamos. Soube a pouco.

As 6 músicas executadas souberam a pouco mas abriram o apetite para comprar o cd. Vale a pena! Só não apanhamos as coordenadas de uma “casa louca”, ou se calhar de loucos, que anda por ai. Dai deriva a capa deste cd. Se alguém souber da sua localização, deixe o seu comentário…Nós gostávamos de lá ir! Não é amor?

cha

 Ele

Para não variar muito fomos nos perder em mais uma casa de chás. Já tinha cá vindo mas sozinho e finalmente consegui partilhar este sítio com alguém. Chegamos não havia mesa notei logo na musica relaxante que havia no fundo, nem sabia mas eles tem uma loja de decoração na cave, fomos lá ver se havia alguma coisa para por no nosso hipotético ninho do amor. Lá fizemos o tempo passar e lá apareceu mesa. Pedimos um chá escolhido por ela e uns scones. Que maravilha, um chá de outro mundo com um cheiro sonhador, e uns scones quentinhos que aquecem a alma. Tudo com ela ali à minha frente. A decoração oriental dava o mote, a música relaxava, passado um pouco já estávamos a ganhar sono com tão bem estar. Sem dúvida merece uma segunda visita… com a compenhia dela.

Ela 

Somos amantes do Chá. Mas, verdadeiros chás… não os dos pacotinhos (não desfazendo!). Havia esta casa do chá que já estava prometido de lá ir. 

Resolvemos ir a pé. Percorrer a Guerra Junqueiro, Av. de Roma, Praça de Alvalade, é agradável. Não paramos para ver montras. Não somos muito consumistas e lojas não são os sítios que mais gostamos. Íamos falando, trocando abraços, beijos e palavras. 

Chegamos! O sítio estava a abarrotar. Ambiente acolhedor e original. Adorei!Visitamos a loja de decoração existente na cave enquanto aguardávamos pelo nosso chá. O espaço era pequeno, estava a meia-luz, com peças de detalhe, diferentes daquilo que é habitual. 

Lá tivemos uma mesa. O chá estava delicioso. Emanava um cheiro delicioso. O gosto era extraordinário, ou seja, uma boa mistura! Tudo isto acompanhado de scones com deliciosas compotas! Foi um lanche digno de referência e de lá voltar novamente. Afinal de contas a lista de chás é grande e como somos ambos amantes de um bom chá… É bom partilhar bons momentos na sua companhia!

palma

Ele

Depois de semanas de expectativa lá fomos nós aos concertos de borla do Casino de Lisboa. Ela convidou muita gente mas toda a gente deu de frosques. Nem todos gostam de Jorge Palma, e ela até pertence aos palmamaniacos só para verem. Eu aprecio algumas das suas músicas e lá fui de reboque acompanhar a menina. Muita gente compareceu para vibrar com o seu som, e de facto vibramos todos. Ela gosta mais do seu lado intimista com ele e um piano, mas ele também deu umas rockalhadas. Desta vez nem jogamos a nossa sorte, foi mesmo só concerto, mas também com um KFC na barriga não me posso chamar um homem com sorte. Mas por outro lado tenho muita sorte no amor…  Uma noite bem passada com ela, sem amigos ou companhias… só nós, só amor…

Ela 

Sou palmaníaca… sou porque sou! Não sei onde o ouvi pela primeira vez. Só sei que oiço muito a sua música.O concerto foi bom. Gostei sobretudo da parte mais intimista. Musicas simples sem grande orquestração, só com o poder do poema. 

E na companhia dele as coisas têm outro sabor. E se teve… Aquele sabor que não conseguirei transmitir por palavras, porque seriam sempre poucas para definir aquilo que sinto por ele.  Repito muitas vezes estes versos.

Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar

Todos nós pagamos por tudo o que usamos
O sistema é antigo e não poupa ninguém, não
Somos todos escravos do que precisamos
Reduz as necessidades se queres passar bem
Que a dependência é uma besta
Que dá cabo do desejo
E a liberdade é uma maluca
Que sabe quanto vale um beijo

Até já fizemos uma nova versão. Mas acima de tudo,  nós sabemos o quanto vale um beijo…

 dino

Ele

Disse à minha mãe para irmos fazer um piquenique. A minha mãe achou por bem irmos ver as pegadas dos dinossáurios (também se pode dizer dinossauros como as pessoas normais). A zona é agradável, e a antiga pedreira tem uma vista espectacular da área circundante. Antes das pegadas vimos um documentário a explicar um pouco como as pegadas ficaram lá tantos anos. Depois vimos a pegadas (nada de especial) e fomos almoçar o nosso piquenique numas mesas que lá se encontravam para o efeito.

Não foi fora de série, mas um passeio com ela é sempre um passeio agradável.

Ela 

O sítio era extraordinário. Uma antiga pedreira que graças a um olho mais observador não deixou escapar um trilho de pegadas que por lá se escondiam. Extraordinário, eu nunca daria por tal coisa… 

Mal chegámos estava um nevoeiro cerrado. Fomos logo encaminhados para uma sala onde havia um documentário de 20m sobre a origem da reserva. Fiquei a saber que ali estão um dos trilhos mais bem definidos do mundo! Eh lá… Também ficamos a saber como eram os “bichinhos”. O seu peso equivalia a +/- 20 elefantes, tinham pescoço longo e eram herbívoros.  

Quando saímos da sala o nevoeiro já tinha desaparecido… Lá fomos para o trilho à procura das pegadas. Um pouco mais para trás lá íamos espreitando a tentar descobrir onde o “bichinho” tinha posto o pé! Confesso que ao início não vi nada. Mas não desisti. O facto de não ver não era razão para não aproveitar o momento. Conseguíamos ir fazendo outras coisas… 

Até encontrarmos a “entendida-mor” das pegadas que não soube responder à pergunta da mãe dele: Se está aqui um pé, onde está o outro? Foi o momento alto.  

Depois, tiramos fotos e fizemos um piquenique. Que tempo tão bem passado!

naifa

Ele

Já tínhamos ido no outro dia ao café, agora fomos apreciar a sala. Gosto imenso do que eles fizeram a este teatro… Recuperar não é bem a palavra… Transformaram-no e para bem melhor. O palco estava lindo simples e como a sala é relativamente pequena criou-se juntamente com esta simplicidade um ambiente intimista que em muito favoreceu o concerto. Quem não ouviu os A Naifa devia ter vergonha… esta é uma banda com futuro que tem uma sonoridade diferente e ao mesmo tempo aquela voz da vocalista que é simplesmente linda. Foi ela que me deu a conhecer esta banda, e o bem que ela me fez… Partilhar este concerto com ela foi uma experiência enriquecedora e saborosa. Eu é que me esqueci de tirar o casaco, fiquei com calor a ouvir um bom som na companhia dela… estava tão bem que ia quase adormecendo. Entretanto lá tirei o casaco e despertei para ouvir o resto da música. 

Depois do concerto ainda houve uma festa no Left onde apareceram os A Naifa. A amiga dela apareceu lá com o seu quase namorado, e juntos passamos uma boa noite na galhofa.

Ela 

Conheci este grupo pela “Universidade Radar”. Gostei do som. Depois li as letras com mais atenção e gostei dos poemas! E quando gostamos de alguma coisa, divulgamos. Falei-lhe neste grupo.  Ele ouviu e também gostou. Convidou-me para o concerto no teatro Maria Matos de forma única e original que irei recordar para sempre…

Para lá das músicas do seu repertório cantaram a “Desfolhada” e a “Tourada”. Novos arranjos para estas canções que fazem parte da nossa identidade cultural e que causam orgulho a qualquer português!  A musicalidade estava em sintonia com a luz, com as palavras, com a sala… com tudo. 

Nunca tinha entrado no Maria Matos e fico com uma boa lembrança de um concerto espectacular numa sala acolhedora mas, o mais importante de tudo foi o  seu aconchego… Foi a banda sonora perfeita de um bom momento.